O governo vai cancelar a operação de venda da TV Manchete pelo grupo Bloch ao empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do grupo IBF (Indústria Brasileira de Formulários), e definirá o destino da rede entre duas alternativas: ou ela retorna aos Bloch ou será oferecida a outro grupo. A decisão foi tomada na semana passada durante reunião entre o presidente Itamar Franco e os ministros Hugo Napoleão (Comunicações) e Walter Barelli (Trabalho). Eles concluíram que como não poderia haver uma intervenção governamental na Manchete, a saída para tentar solucionar a crise financeira da emissora foi detectar irregularidades na operação de venda e, com base nisso, anular o negócio. O governo já decidiu, também, que não permitirá a compra da TV Manchete pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). Ontem, porém, o presidente da CUT, Jair Meneguelli, se reuniu com o empresário Roberto Marinho, das Organizações Globo, para apresentar o projeto de criação da Fundação Manchete. "Seria uma TV humanista, nem política nem partidária, com preocupações pedagógicas. Não competiria com a Globo", disse Meneguelli. Ele calculou em US$100 milhões o valor necessário para começar o negócio e chegou a citar o nome do sociólogo e secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza, para presidir a fundação. Segundo Meneguelli, Marinho estaria disposto a colaborar com o projeto, que conta com o apoio do ministro do Trabalho (JB) (FSP) (O ESP) (O Globo).