O governo já definiu três medidas que serão adotadas, em um plano econômico, para combater os efeitos da recessão. Além da liberação de US$1 bilhão para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiar programas de criação de empregos, anunciado anteontem, o governo vai liberar recursos para a construção de cerca de 200 mil moradias, financiadas através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e paralisadas por falta de verba. O programa de recuperação das estradas federais também será iniciado com a publicação de 40 editais de licitação nos próximos dias. As informações foram dadas ontem pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Roberto Freire (PPS-PE). Junto a "medidas compensatórias", o presidente Itamar Franco deverá anunciar também o seu programa de combate à fome-- a ser adotado por projetos de lei. O programa está sendo preparado pelo bispo de Duque de Caxias (RJ), dom Mauro Morelli, e pelo sociólogo e secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza. O programa prevê a criação de um esquema de fornecimento de alimentação para os trabalhadores, atendimento aos desnutridos e descentralização de distribuição da merenda escolar. Esses projetos de lei serão divulgados, com a definição dos recursos necessários, na reunião ministerial do próximo dia 24. Em um documento denominado Idéias para o Plano contra a Fome", o Banco do Brasil está propondo que o Programa de Combate à Miséria faça parte do acordo que o Brasil pretende assinar com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Pela sugestão do BB, todos os organismos do governo, inclusive o Ministério da Fazenda, devem submeter suas políticas ao cumprimento do "Plano contra a Fome". O BB também se compromete com as seguintes atividades no combate à fome: 1) aperfeiçoar o programa Bolsa de Arrendamento de Terras, para dar trabalho a lavradores sem-terra e aproveitar áreas ociosas; 2) expandir a rede de armazéns credenciados, para combater o desperdício e melhorar a comercialização da safra; 3) aumentar os negócios através de bolsas de mercadorias; 4) expandir programas de contratação de menores carentes; e 5) criar banco de dados sobre a produção, rota de escoamento da safra e estrutura de transportes. O início do programa, contendo mais de 50 sugestões de todos os ministérios, será marcado com a doação de um Chevete popular (que vale cerca de US$6,8 mil). O sociólogo Herbert de Souza decidiu entregar o carro ao Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua. Herbert de Souza informou que a maior ênfase na luta contra a fome deve ser dada ao combate à recessão e à retomada do crescimento e do emprego, argumentando que no Ministério da Fazenda é que está a decisão mais importante do Plano. Se ela não estimular a produção, dizendo não à especulação, nossos
73380 planos ficarão nas boas intenções, disse (O ESP) (O Globo) (JB) (JC).