EXPORTADORES COBRAM DO IBC DÍVIDA DE US$150 MILHÕES

Os exportadores de café estão enviando telegramas aos ministros da área econômica do governo pedindo que o IBC (Instituto Brasileiro do Café) lhes pague mais de US$150 milhões. A dívida é consequência da desastrada intervenção no mercado internacional do café que o IBC promoveu em setembro do ano passado ao comprar 630 mil sacas de café na Bolsa de Londres, com o objetivo de aumentar os preços artificialmente. O resultado, contudo, foi o contrário: a operação causou prejuízo a 18 empresas privadas e reduziu exageradamente o preço do café no exterior. A opereção sigilosa do IBC recebeu o nome de Patrícia, em homenagem ao nascimento da filha do diretor da INTERBRÁS (que também participou) em Londres, ocorrido no mesmo dia em que a operação se iniciou. A idéia era comprar café na bolsa londrina e, com isso, provocar um aumento nos preços internacionais. O então presidente do IBC, Paulo Graciano, convocou 18 empresas privadas do Brasil para executar as ordens de compra. A idéia deu certo durante 17 dias. No início de setembro, o preço do café era de 1.600 libras esterlinas por tonelada. No dia 17 do mesmo mês o preço estava a 2.550 libras esterlinas por tonelada. O que o IBC não contava, no entanto, era que a OMC (Organização Mundial do Café) guardava em seus armazéns europeus de cinco milhões a 6 milhões de sacas do produto, o suficiente para frustrar as tentativas do IBC. Ao invés do preço do café subir na Bolsa de Londres ele declinou, provocando prejuízo para as empresas brasileiras que participaram das negociações. Agora, os empresários querem o seu dinheiro (JB).