MAIS DOIS CASOS DE TORTURA EM FORTALEZA

A Ordem dos Advogados do Ceará, através de seu Conselho Seccional, se reuniu ontem em Fortaleza e decidiu mandar ofício ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, pedindo que o inquérito sobre as torturas aplicadas por policiais no operário Antônio Ferreira Braga, de 27 anos, seja conduzido pela Polícia Federal. Os advogados mandaram também correspondência ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, pedindo o deslocamento de um representante do Ministério Público Federal na investigação. Na próxima semana, um delegado da Anistia Internacional irá a Fortaleza acompanhar o caso. Ontem, foram denunciados dois outros casos de tortura em delegacias dirigidas pela delegada Sônia Gurgel. A irmã missionária Maria Mirasol revelou ter ficado cinco dias presa, dois dos quais incomunicável, em outubro de 1992. Ela disse que, embora não tenha sido torturada fisicamente, sofreu grande pressão psicológica. Outro caso apresentado à OAB-CE foi o do advogado Antônio Guilherme Rodrigues. Em fevereiro de 1989, ao comparecer à delegacia, teria sido humilhado e destratado pela delegada, que chegou a rasgar sua carteira da Ordem (O ESP).