A reativação da demanda brasileira está contribuindo para reduzir o déficit comercial da Argentina com o Brasil, que foi de US$1,5 bilhão em 1992, superando os problemas causados pelo encarecimento dos produtos argentinos por causa da paridade fixa do peso em relação ao dólar. Alguns produtos argentinos como os da indústria de laticínios, que já foram importantes na pauta mas tiveram vendas praticamente nulas no ano passado, voltam a fazer parte do comércio; e outros novos, como a farinha de trigo, dão indicações promissoras. "Para a Argentina é mais estimulante a volta do crescimento do Brasil do que uma modificação na paridade de câmbio entre o peso e o cruzeiro", afirmou ontem, em São Paulo, o embaixador da Argentina no Brasil, Alieto Gaudagni. Segundo ele, os resultados da balança comercial dos dois países, em janeiro, já mostram uma recuperação das vendas argentinas. O país exportou US$196 milhões ao Brasil, em comparação com US$89 milhões em janeiro de 92; e importou do Brasil US$262 milhões, em comparação com US$187 milhões em igual período do ano passado. O déficit argentino diminuiu de US$98 milhões para US$65 milhões. O embaixador manteve a previsão de que a Argentina deverá exportar neste ano US$2,4 bilhões ao Brasil, US$900 milhões a mais do que no ano passado (GM).