Os atritos recentes entre Argentina e Paraguai-- causados pelo aumento de uma taxa argentina sobre as importações-- e a instabilidade econômica do Brasil aumentaram, no Uruguai, as dúvidas sobre as verdadeiras possibilidades do processo de integração do MERCOSUL. Apesar das previsões de dar início, em janeiro de 1995, a um mercado comum entre estas quatro nações, no Uruguai já são poucos os que consideram a meta totalmente realizável dentro dos prazos previstos. A incerteza é clara tanto na esfera pública quanto na privada, apesar de os dois setores diferirem na expectativa dos resultados que o processo integrador terá alcançado quando for atingida a tarifa zero para a grande maioria dos produtos. O próprio presidente do Uruguai, Luiz Alberto Lacalle, ressaltou, na semana passada, no México, sua "grande preocupação" com a situação econômica brasileira, admitindo que, "tal como a imaginamos" pode "não se tornar realidade". A tese foi confirmada pelo presidente do Banco Central do Uruguai, Ramon Diza, que frisou que, a dois anos do nascimento do MERCOSUL, em março último, não se havia avançado nada na coordenação macroeconômica, um dos aspectos vitais para concretizar o mercado comum. Para Diaz, o fato deve-se à "dificuldade que o governo brasileiro tem para o diálogo, já que seus dirigentes mudam continuamente". E acrescentou que não existem interlocutores "de fato" no Brasil "em matéria macroeconômica e tarifária". No setor privado, o clima é ainda mais pessimista. O presidente da Comissão de Comércio Exterior da Câmara de Indústrias do Uruguai, Jacinto Muxi, lembrou que a organização solicitou, no fim de 1992, a suspensão imediata do atual cronograma de anulação tarifária. Segundo ele, o pedido dos empresários uruguaios de fazer "uma pausa" não significa o desejo de abandonar o acordo de integração, mas sim de corrigir as assimetrias do processo (JC).