O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT) decidiu ignorar uma exigência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e seguir a sua inspiração. Num documento intitulado "Ajuda Memória", datado de 30 de março deste ano, o BID afirma ser necessária a contratação, através de licitação, de uma firma de consultoria para o trabalho de despoluição da Baía de Guanabara. Ontem, Brizola disse que está inclinado a formar um consórcio de empresas coordenado pela Promon para gerenciar o projeto. O documento do BID dizia que a realização de uma concorrência pública evitaria futuras ações e protestos na Justiça contra a lisura do processo. O governador disse que não está preocupado com isso: "Quando se precisa de um médico, não se faz licitação. Muitas vezes é melhor seguirmos a nossa inspiração". O governador argumentou que a verba para essa consultoria sairá do estado e, portanto, caberia apenas a ele a definição do método de escolha da empresa. O ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Manuel Sanches, foi exonerado do cargo porque se opusera ao contrato com a Promon, dirigida pelo engenheiro José Carlos Sussekind-- principal assessor do governador nas obras do estado. Se contratada, a Promon receberá entre US$19 e US$39 milhões (O Globo).