A integração industrial dos países do MERCOSUL fracassará se as empresas não aceitarem o desafio da concorrência. A advertência consta de estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), que releva a importância dos programas de reconversão industrial para aumentar a competitividade, tanto em escala regional como internacional. O fato principal, segundo o documento, é sensibilizar as gerências empresariais para a concorrência. Pesquisas realizadas na região revelam que, apesar de 75% das empresas aparentemente terem planos de exportar para os mercados da área, é muito alto o índice-- 61%-- das que temem a concorrência proveniente da mesma região em seu próprio mercado. O empresariado uruguaio aparece como o setor mais consciente da região sobre a necessidade de uma reestruturação industrial como pré-requisito para penetrar nos mercados da Argentina e do Brasil. A Argentina é o segundo país no grau de preocupação com a reconversão industrial em relação ao MERCOSUL. No Brasil, os especialistas da ONUDI encontraram preocupação nas esferas empresariais apenas no que diz respeito à integração regional. O empresariado paraguaio também tende a reduzir a importância da reestruturação da indústria nacional, pois a consideram exposta há tempos a uma espécie de mercado aberto e à concorrência do contrabando. No que se refere ao Brasil, a ONUDI sugere a cooperação com o país para desenvolver a indústria de calçados. O estudo encontrou poucas ofertas de cooperação no Brasil, onde a integração regional é vista apenas como um desafio competitivo. Como única exceção no país, o relatório cita a indústria de alimentos de Porto Alegre (RS), onde, por razões geográficas, parece existir maior consciência sobre o mercado regional. Para a ONUDI, é evidente que os empresários da Argentina, Paraguai e Uruguai consideram a indústria brasileira o concorrente mais perigoso, por seu volume de produção e pela diversificação industrial. Todo o problema de reconversão na região, assim, estrutura-se em termos de competição e da confrontação com a indústria brasileira, conclui o informe (JC).