COLLOR NEGA OFERTA DE SUBORNO

O ex-presidente Fernando Collor de Mello respondeu "não" a todas as perguntas que lhe foram feitas ontem, durante depoimento na 10a. Vara da Justiça Federal de Brasília (DF), no processo em que foi arrolado como testemunha de defesa do empresário Wanderley de Oliveira, acusado de tentar subornar o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Collor negou conhecer o empresário e o motivo de sua convocação como testemunha de defesa. Garantiu, ainda, não ter mandado qualquer pessoa oferecer suborno a Aristides para que ele não o denunciasse por crime comum. Collor reafirmou, em depoimento de 10 minutos, que soube da tentativa de suborno do procurador apenas pela imprensa. A ex-primeira-dama Rosane Collor voltou a admitir, em depoimento ao juiz da 10a. Vara, Pedro Paulo Castelo Branco, que usou US$18 mil do orçamento da Presidência da República para promover uma festa no dia do aniversário de sua melhor amiga, Maria Eunícia Guimarães, em julho de 1991. Denunciada por crime de peculato, Rosane disse que o dinheiro foi liberado pelo Cerimonial do Palácio do Planalto porque tratava-se de uma festa de representação da Presidência da República com a participação de diversas embaixatrizes. No depoimento de uma hora, Rosane disse ao juiz não considerar que o dinheiro tenha sido usado de maneira ilegal. Em setembro de 1992, a Justiça Federal determinou que Rosane devolvesse ao Tesouro Nacional com correção os Cr$5,6 milhões gastos na época, mas ela recorreu da sentença. Ao deixarem o prédio da Justiça Federal, o casal Collor foi vaiado por dezenas de servidores públicos. No Rio de Janeiro, o "banqueiro" do jogo do bicho Castor de Andrade, depôs na Polícia Federal e negou "qualquer envolvimento com o tal de PC". A PF encontrou nas contas bancárias do doleiro Jorge Luiz da Conceição, um dos integrantes do "esquema PC", um cheque de Cr$3,8 milhões emitido em 1991 pelo bicheiro. A PF também decidiu investigar a contabilidade da Construtora Encol. O diretor financeiro da Encol, Manfredi Ribeiro, foi ouvido ontem pela PF, mas não conseguiu explicar por que cheques da empresa foram depositados em contas bancárias de pessoas ligadas ao empresário Paulo César Farias. Além da Encol, a Brascan Imobiliária e outras empresas e pessoas estão sendo investigadas, incluindo alguns dos principais "banqueiros" do jogo do bicho no Rio (O ESP) (O Globo) (FSP) (JB).