A União Nacional dos Estudantes (UNE) marcou para o próximo dia quatro de maio uma greve envolvendo estudantes de todo o país contra os aumentos das mensalidades escolares. Essa foi a principal decisão resultante do primeiro plenário da Convenção Nacional das Entidades Gerais (CONEG), no último dia 10, em Campinas (SP). Além da greve geral, representantes de DCEs e Centros Acadêmicos votaram também pela independência da entidade diante do governo Itamar Franco. A UNE decidiu assumir posição contra a política de privatizações e qualquer iniciativa liberalizante herdada por Itamar do governo Collor. Para não romper com as tradições do movimento estudantil, foram também adotadas posições contra as iniciativas consideradas imperialistas. Os estudantes aprovaram moções de repúdio ao bloqueio econômico imposto a Cuba e também se declararam contra "as agressões norte-americanas ao Iraque" e "às provocações capitalistas que os norte-americanos têm imposto à Coréia do Norte". A UNE não convocava uma greve geral há 12 anos. A última-- promovida em 1981-- reivindicava eleições diretas para a escolha dos reitores nas universidades, que até então eram escolhidos para esses cargos por indicação. Um ano antes, a entidade realizou sua penúltima greve geral, motivada pela mesma razão que novamente mobiliza os estudantes: o aumento das mensalidades. Em setembro de 1980, cerca de 900 mil alunos em todo o país aderiram à greve pelo congelamento das mensalidades nas universidades particulares e a liberação de 12% do Orçamento da União para a Educação (O Globo).