Os governos e as montadoras do Brasil e do Uruguai vão se reunir dia 18, no Rio de Janeiro, para tentar desatar um nó que pode comprometer o Protocolo de Expansão Comercial (PEC), assinado pelos dois países em 1976, e o próprio MERCOSUL. Trata-se da exportação para o Brasil, com isenção de impostos, de veículos montados no Uruguai com índices de nacionalização de 50%. As montadoras uruguaias argumentam que o número está de acordo com o PEC, mas a ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e o SINDIPE>AS (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), pelo lado brasileiro, consideram o índice previsto no acordo setorial do MERCOSUL, de 70%, como o correto e não escondem o temor de que o Uruguai se transforme num centro de "maquiagem" de veículos, como o Citroen, produzidos em outros países. "É preciso uniformizar as regras do PEC e do MERCOSUL e definir claramente o potencial da indústria uruguaia de atender a um percentual mínimo de nacionalização acertado entre as partes", diz Célio Batalha, vice-presidente da ANFAVEA. A questão teve início há dois anos, quando o governo Collor aceitou reduzir de 70% para 50% o índice de nacionalização dos veículos importados do Uruguai pelo PEC. Em troca, comenta-se no mercado, o país vizinho teria garantido a vitória de empresas brasileiras em licitações públicas, realizadas no ano passado, para substituição de parte da frota de ônibus urbanos de Montevidéu. Em 1992, o Brasil vendeu ao Uruguai cerca de 600 ônibus. O acordo herdado da gestão Collor não agrada ao novo governo. Segundo o secretário de Comércio Exterior, Renato Marques, os fabricantes uruguaios embutem em seus preços 15% de custos financeiros para atingir o índice, previsto no PEC, de 50% de nacionalização. "Vamos nos sentar e discutir todas essas questões sob a ótica do MERCOSUL. Não queremos excluir o Uruguai, mas não podemos admitir a existência de um trampolim para a entrada no Brasil, com benefícios fiscais, de automóveis produzidos fora do MERCOSUL", diz (O Globo).