Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) estimam que as empresas estatais desperdiçam cerca de US$60 bilhões por ano, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), em consequência de corrupção, malversação de recursos públicos, renúncia de receita, subsídios indevidos e incúria administrativa. Esse desperdício, em cruzeiros, atinge Cr$1,2 quatrilhão, oito vezes mais do que o governo espera arrecadar por ano com a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). O TCU ainda está fechando o balanço de 1992, mas já se sabe que nos dois primeiros trimestres houve um crescimento de 20% na demanda do tribunal para apurar atos de irregularidades administrativas. No primeiro semestre, foram realizadas 3.027 inspeções especiais, auditorias e tomadas de contas por causa de indícios de irregularidades. Em 1.100 casos (250 a mais que em 1991), foram detectados ilícitos, a maioria de natureza formal ou sem intenção comprovada, porém 99 processos foram julgados irregulares e mais de 300 envolvidos foram condenados ao pagamento de multa e ao ressarcirmento de um montante, em valores atualizados, equivalente a Cr$1 trilhão desviados (O ESP).