GRUPO MARANHENSE É ACUSADO DE TORTURAR POSSEIROS

O deputado federal José Carlos Sabóia (PSB-MA) denunciou ontem que policiais militares liderados por um oficial da PM e pistoleiros do Grupo Industrial João Santos, o segundo maior fabricante de cimento do país, obrigaram posseiros a comerem capim, como forma de pressionar 27 famílias a abandonarem área adquirida pela empresa, em Buriti de Inácia Vaz, a 350 km de São Luís (MA). De acordo com o deputado, os policiais comandados pelo segundo-tenente Járcio de Souza e pelos pistoleiros "Zito" e "Paulo", do Grupo Industrial, colocaram chocalhos nos posseiros Raimundo Conceição Mascarenhas e Raimundo Conceição da Silva, obrigando-os a ficarem de quatro num campo de futebol. Ambos foram submetidos a outras formas de tortura, como espancamento e intimidação. O incidente ocorreu no dia 16 de março, no povoado de Belém, onde o grupo tem propriedade de 2.900 hectares, adquirida há 10 anos. Com mandado de reintegração de posse assinada pela juíza Edine Couto Bacelar Nunes, os policiais chegaram à propriedade. Barracos foram derrubados por tratores e posseiros despejados à força. Dois deles acabaram presos e torturados. Além do deputado, a denúncia foi subscrita pelo Conselho Pastoral de Pescadores, pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pela Diocese local, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Buriti e a Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos, além de cinco deputados estaduais (PSB, PT e PDT) (JB).