ACUSADO DE TORTURA É INDICADO PARA A GUARDA MUNICIPAL DO RIO

Apontado como suspeito do sequestro do jornalista Alexandre von Baumgarten, em 13 de outubro de 1982, o coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Paulo César Amêndola de Souza, é desde ontem o superintendente executivo da Guarda Municipal do Rio de Janeiro. O oficial foi indicado pelo prefeito César Maia (PMDB), que, segundo fontes da Câmara de Vereadores, acatou a sugestão do vereador e também coronel PM Francisco Duran Borges (PMDB). Embora ainda não tenha sido nomeado, Amêndola já ocupa a vaga do comandante Flávio Ribeiro da Silva-- ligado ao secretário estadual de Polícia Militar, Nazareth Cerqueira--, exonerado ontem. Durante a ditadura militar, Amêndola era ligado a pessoas acusadas de torturar presos políticos, como o ex-capitão do Exército Aílton Guimarães Jorge, o "capitão Guimarães", hoje um dos maiores contraventores do Rio. Ex-chefe do NUCOE (Núcleo da Companhia de Operações Especiais), o novo superintendente da Guarda Municipal sofreu, em junho de 1985, a acusação de ter comandado o sequestro de Baumgarten, feita pelo major do Exército Paulo Roberto Silveira, o "Silveirinha", ex- ajudante de ordens do general Sílvio Frota. Amêndola entrou para a PM em 1964 (JB).