Convencido de que a campanha pela sucessão presidencial foi antecipada, o presidente Itamar Franco estreou ontem seu novo estilo-- não deixar nenhuma crítica sem resposta-- e convocou a imprensa para atacar o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), que o chamou de traidor da nação por causa da venda da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), e o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PDS), para quem o governo Itamar acabou. "O silêncio que me impus nesses dias não foi suficiente para calar algumas vozes sinistras deste país", afirmou. Sem permitir perguntas, Itamar ditou frases para os repórteres. "O governador Brizola não disse a verdade em relação à privatização da CSN. Quando ele esteve comigo, foi o primeiro cidadão a conhecer as novas regras em relação aos fundos de pensão. E aprovou". Sobre Maluf, o presidente afirmou que "a história política dele vai responder melhor do que eu". Itamar fez um desafio: "Estamos prontos para enfrentá-los (Brizola e Maluf) em qualquer campo, em relação à política em sua alta expressão e não à política rasteira e ambiciosa" (JB).