ESCRAVO CUSTA US$300 NO SUL DO PARÁ

É possível contratar trabalho "escravo" por telefone no Brasil. Um fazendeiro paulista mostrou à reportagem da "Folha de S. Paulo" como é fácil fazer o acerto com empreteiros de trabalho em fazendas no sul do Pará. Ele ligou, no último dia 20, para o maranhense Adão dos Santos Franco, em Santana do Araguaia. Com 100 ou 120 "peões" recrutados no Nordeste ou Goiás, Franco garantiu desmatar 250 alqueires em São Félix do Xingu cobrando US$300 por alqueire ou o equivalente em arrouba de boi. Na conversa por telefone, o fazendeiro usou um nome fictício, dizendo ser conhecido de um ex-cliente de Franco-- Tarley Euvécio Martins, gerente da fazenda Santo Antônio do Indaiá, no Município de Ourilândia do Norte. Lá, em julho de 1991, a Polícia Militar liberou 16 "trabalhadores escravizados", por "seguranças" de Adão. Segundo Franco, o serviço prestado ao fazendeiro paulista seria realizado com um esquema de segurança para impedir fugas. O transporte dos "peões" seria com dois ou três ônibus fretados para passar pelas barreiras policiais nas estradas. Essa é uma nova forma para transportar "escravos". Antes eles eram levados em caminhões de bois (FSP).