O governo não conseguiu concluir a privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no leilão de ontem na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). A operação pode se tornar sem efeito no próximo dia cinco, caso os investidores não adquiram pelo menos 7,462 milhões de lotes de mil ações de uma sobra de 15,342 milhões. Isso equivale a 30% dos 51,212 milhões de lotes em oferta-- foram vendidos 35,873 milhões ao preço mínimo de Cr$605,66 por ação. Esse total representa 45,5% do capital votante da CSN e, para o leilão ter efeito, o governo precisa vender 55%. Um grupo formado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), o Bamerindus, o Vicunha e a EMESA (uma "trading" de Barra Mansa-RJ), e coordenado por Roberto Lima Netto, ex-presidente da CSN, foi o principal comprador da siderúrgica. Compraram pelo preço mínimo-- Cr$21,7 trilhões (US$801 milhões)-- os 35,873 milhões de lotes de mil ações ofertados. Grandes bancos, como Bradesco, Nacional, Itaú e Real, também entraram no "bolo". A participação de fundações, no entanto, foi pequena: entraram a Telos (da EMBRATEL), a Fundação da IBM, a Fapes (do BNDES) e a Previ-BANERJ, todos com pequena participação. Os trabalhadores da CSN vão comprar 20% do capital a preços subsidiados. Marcado para as 14h, o leilão acabou acontecendo às 17h30m, depois que a Justiça cassou as quatro liminares que impediam sua realização. Durante todo o dia, sindicalistas, estudantes e políticos protestaram contra o leilão da CSN em frente ao prédio da Bolsa. Cerca de 350 pessoas gritavam palavras de ordem e exibiam faixas. Empresários que chegavam para o leilão eram agredidos. A Polícia Militar usou 600 homens no policiamento da bolsa de valores. Irritado com o leilão da CSN, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), anunciou a retirada do apoio do PDT ao presidente Itamar Franco. "A partir de agora, nosso caminho será de oposição, denúncia e condenação", declarou. Segundo Brizola, o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, único representante do partido no 1o. escalão, terá de optar entre o cargo e o PDT (O ESP) (O Globo) (FSP) (JB).