Um estudo sobre a primeira droga contra a AIDS aprovada no mundo, o AZT, mostra que não há nenhuma vantagem apreciável em se tomar o medicamento nos primeiros estágios da infecção pelo vírus HIV ao invés de se esperar para tomá-lo quando a doença já se manifestou plenamente. Os resultados dos testes anglo-franceses do AZT, feitos pela empresa inglesa Wellcome Plc., serão publicados na revista médica britânica "The Lancet". O ensaio clínico Concorde teve início em 1988 para checar qual o momento mais indicado para o tratamento com AZT, logo em seguida à infecção ou mais tarde. O ensaio foi realizado com 1.749 voluntários, metade dos quais recebia 250 miligramas de AZT quatro vezes por dia, enquanto que outros recebiam um placebo (uma substância inócua). Apesar de terem uma contagem maior de células CD4 (alvo do HIV), os que tomaram a droga mais cedo tiveram uma progressão semelhante da doença em relação aos que a tomaram mais tarde. A Wellcome informa que, de modo geral, os resultados do Concorde foram consistentes com outros estudos, embora quatro testes anteriores tenham mostrado que houve uma redução significativa da doença com o AZT. A empresa ressalva, porém, que a relevância dos resultados para a prática clínica futura tende a ser limitada, já que a pesquisa de tratamentos para AIDS tende a favorecer combinações de drogas. Outro ensaio europeu, Delta, está avaliando o uso de AZT combinado com duas outras drogas, DDC e DDI. A epidemia da AIDS matará 25 milhões de pessoas até 1997, dez vezes o número de mortos-- 2,5 milhões-- até 1992. Segundo o médico John Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, de Washington (EUA), a doença já é considerada a mais letal da história da humanidade (FSP) (JB).