Nos últimos 22 anos, 647 mil trabalhadores rurais deixaram o campo no Estado de São Paulo. Cerca de metade desse contingente foi buscar emprego em atividades urbanas. Mas o restante, fixando residência em geral na periferia das cidades do interior, manteve-se empregado no campo. Os números, que confirmam a tendência firme no Estado de São Paulo de mudanças nas relações de trabalho no campo, são dados preliminares de um estudo que está sendo preparado pelo Instituto de Economia Aplicada (IEA) sobre a população trabalhadora rural entre os anos de 1970 e 1992. Nesse período, caiu quase à metade a população de trabalhadores residentes no campo em São Paulo, estado que responde por 17,6% do PIB da agropecuária e tem uma moderna agricultura voltada para produtos de alto valor específico. O número de trabalhadores rurais-- aí incluídos também os proprietários-- residentes no campo reduziu-se de 1,316 milhão para 669 mil pessoas (45,5%). Em contrapartida, cresceu 215,5% o número de trabalhadores rurais não residentes nas fazendas, que passou de 93,6 mil para 295,3 mil pessoas. O número de volantes, os trabalhadores rurais temporários, aumentou 33% no mesmo período, de 258,3 mil para 343,5 mil. A redução da população rural é uma tendência mundial, estimulada pelo processo de mecanização da atividade agrícola, que libera mão-de-obra do campo, e pela atração exercida pelos setores secundários e terciários de toda a sociedade que se industrializa. No Brasil, a população rural entre os censos de 1970 e 1991 teve sua participação reduzida de 44,07% para 24,5%. Conforme dados da Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados), de São Paulo, durante a década de 80 o interior do estado registrou um saldo migratório positivo de 861 mil pessoas, isto é, as cidades do interior receberam mais gente do que "expulsaram". No entanto, a região metropolitana de São Paulo teve um saldo migratório negativo de 274 mil pessoas, ou seja, "expulsou" mais do que recebeu (GM).