O Tesouro Nacional usou artifícios contábeis para evitar que o caixa do governo registrasse déficit em março. Um superávit de Cr$3,1 trilhões foi obtido graças ao adiamento para abril de pagamentos que deveriam ser feitos até 31 de março. O artifício não conseguirá, no entanto, impedir um déficit este mês. Além dos gastos adiados, o Tesouro terá uma despesa adicional de Cr$13,3 trilhões com o pagamento do reajuste de 33% do funcionalismo público-- aprovado ontem pelo Congresso Nacional-- e do socorro aos estados afetados pela seca. A equipe do ministro da Fazenda, Eliseu Resende, prevê uma inflação de pelo menos 28% para abril. O receio de uma explosão dos preços está levando o governo a estudar medidas paliativas, entre elas o reajuste das tarifas públicas abaixo da taxa da inflação. A arrecadação do mês de março, de Cr$82 trilhões, foi 16% superior à receita de março de 92. Mesmo assim, o Tesouro verificou uma pressão adicional de despesas da ordem de Cr$5 trilhões. Isso levou o ministro da Fazenda a recomendar cortes e postergação de despesas. O Tesouro deixou de pagar Cr$2,750 trilhões de juros vencidos em março da dívida do Brasil com o BIRD (Banco Mundial) e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). As dificuldades de caixa do Tesouro vêm sendo explicadas pelo pagamento de juros da dívida interna e externa, que custou mais de Cr$10 trilhões no mês passado. O Tesouro gastou Cr$33 trilhões com a folha de pessoal e repassou aos fundos de participação dos estados e municípios (FPE, FPM) mais de Cr$25 trilhões (FSP).