O defensor público Walter Elysio Borges Tavares denunciou ontem a existência de "uma milícia paralela mantida por empresários da construção civil" que, segundo ele, tem sido responsável pela violência e morte de vários posseiros no Rio de Janeiro (RJ). Tavares afirmou que as atrocidades praticadas por essa milícia paralela está fazendo com que as comunidades carentes reajam. "O conflito armado já está ocorrendo", disse. A existência de grupos de extermínios atuando contra sem-terra foi confirmada também pelo vereador e ex-secretário municipal de Desenvolvimento Social Pedro Porfírio, que pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a "onda de violência contra as comunidades carentes que tomou conta da cidade". De acordo com Porfírio, "existem não um, mas vários grupos de extermínio" atuando contra ocupantes de terras no Rio. O vereador criticou a atuação da Polícia: "Eles já partem da versão de que a vítima era ligada ao tráfico de drogas". O presidente da Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (FAFERJ), Pedro Moreira Mendonça, responsável pelo levantamento de 36 assassinatos de lideranças comunitárias em menos de dois anos, ressaltou que a maioria dos crimes tem um aspecto em comum: a execução com vários tiros, numa espécie de ritual semelhante aos praticados pelos grupos de extermínio da Baixada Fluminense. "Até hoje, nenhum caso foi esclarecido", disse (O ESP).