Com base no atendimento diário de seus soldados e oficiais, a Polícia Militar concluiu que, em cada grupo de 100 menores de rua assassinados em São Paulo, um tem menos de quatro anos. Na faixa dos cinco aos nove anos de idade o número de assassinados é de cinco. Entre 10 e 14 anos aumenta para 16. O maior número de mortes ocorre na faixa dos 16 aos 19 anos. Os números foram levantados num trabalho sobre o envolvimento dos menores com criminalidade em São Paulo. Em dezembro de 1992, as rondas da PM registraram nove assassinatos praticados por menores e 21 casos de garotos assassinados. Os meninos praticaram 24 assaltos nas ruas, roubaram 21 carros, 13 estabelecimentos comerciais e 14 residenciais. No mesmo período, foram detidos 485 menores- - 29 deles estavam armados de revólveres. Estiveram também envolvidos em 150 furtos. Estão recolhidos nas unidades da Fundação Estadual do Bem- Estar do Menor (FEBEM) mais de três mil infratores e outros seis mil vivem pelas ruas. A pesquisa, feita pelo Serviço de Inteligência da PM, conclui que houve aumento no número de crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes e no de meninas prostituídas. O relatório afirma que a maioria dos menores é viciada em cheirar cola, cocaína e fumar maconha. Os oficiais da PM que prepararam o trabalho citam a Anistia Internacional quando analisam as execuções dos menores. "Segundo a Anistia, as crianças e os adolescentes de rua estão sendo simplesmente assassinadas por grupos de extermínio formados por policiais em serviço ou não". Números do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) são mencionados para reforçar o que foi dito pela Anistia: "87% das crianças e adolescentes assassinados eram do sexo masculino e 52% eram negros". Para a PM, a questão dos meninos e meninas de rua não é político, mas social. A sociedade tem sua parcela de culpa por não oferecer ajuda e trabalho a
73173 esses menores, conclui (O ESP).