O governador do Espírito Santo, Albuíno Azeredo (PDT), disse ao presidente Itamar Franco, no último dia 31, que o governo federal "não vai conseguir viabilizar nenhuma campanha de combate à fome e à miséria enquanto persistir o poder astronômico dos bancos privados sobre a economia do país". O governador está lançando uma cruzada nacional contra os bancos privados, responsabilizando-os "pela fábrica de miséria em que se transformou o país, em consequência do lucro abusivo auferido por estas instituições, face à elevada taxa de juros e inflação ascendente, junto à população e setores produtivos". Albuíno Azeredo acusou os bancos privados de fomentarem a inflação insuportável no país, interferindo até mesmo na
73162 política econômica via Banco Central, pois esta é a única forma de
73162 obterem a indomável margem de lucratividade. O lucro líquido obtido em 1992 pelos principais bancos privados do país comprovam a denúncia do governador: Bradesco (Cr$3,579 trilhões), Itaú (Cr$2,770 trilhões), Nacional (Cr$594,1 bilhões), Bamerindus (Cr$528,1 bilhões), Unibanco (Cr$750,4 bilhões), Econômico (Cr$486,2 bilhões), BCN (Cr$514,8 bilhões), Bozano Simonsen (Cr$924 bilhões), Mercantil São Paulo (Cr$255,3 bilhões), Multiplic (Cr$363 bilhões), Noroeste (Cr$186,1 bilhões), Banorte (Cr$42,3 bilhões), Bancocidade (Cr$109,5 bilhões), BMC (Cr$382,6 bilhões), América do Sul (Cr$171,4 bilhões), Bandeirantes (Cr$163,5 bilhões), Votorantim (Cr$43,4 bilhões), Boavista (Cr$103,5 bilhões), Mercantil do Brasil (Cr$127,6 bilhões), Sul América (Cr$73,3 bilhões), ABC Roma (Cr$70,5 bilhões), Fiat (Cr$60 bilhões), Finivest (Cr$18,7 bilhões) e Real (Cr$388,8 bilhões). Este ano, com a criação do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira), o imposto sobre cheques, os bancos deverão engordar ainda mais seus lucros. Isto porque os bancos só terão que remeter ao Tesouro Nacional os saldos do imposto recolhido às segundas-feiras. Até este dia poderão movimentar livremente esses recursos (JC) (GM) (JB).