O Orçamento da União deste ano prevê gastos de US$7,9 bilhões com pagamento de juros e encargos da dívida interna em dinheiro e US$2,1 bilhões com pagamento de juros de parte da dívida externa. Os cálculos são de assessores técnicos da Câmara dos Deputados. O governo comprometeu 65% do Orçamento com a rolagem da dívida interna. O custo com juros equivale à arrecadação anual que o governo espera obter com o IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira). As fontes para o pagamento dos juros são a remuneração de disponibilidades do Tesouro no Banco Central e as receitas tributárias. Outros US$3,4 bilhões em títulos públicos completam a despesa com juros e encargos da dívida mobiliária federal este ano, fixada em US$10,1 bilhões. Somente o pagamento de juros equivale a 84% das despesas previstas com pagamento de pessoal e encargos sociais, de US$12 bilhões até dezembro. Em relação ao ano passado, o custo dos juros da dívida interna apresenta crescimento real de 150%. Além do pagamento de juros, a rolagem da dívida interna vai custar US$135 bilhões, correspondentes a 65% do Orçamento de 93. No ano passado, a rolagem e o pagamento de juros consumiram 48%. Em 1991, em números reais, o comprometimento era de 41%, mas com o confisco dos cruzados novos e o consequente aumento dos prazos de vencimentos dos títulos públicos, o governo não gastou mais do que 21% do Orçamento (JB).