O fazendeiro Líbero Monteiro de Lima, de 61 anos, foi absolvido ontem pelo Tribunal do Júri, em Ponta Porã (MS), no processo em que era acusado de mandar matar o líder indígena Marçal de Souza, em novembro de 1983. Por seis votos a um, os jurados inocentaram o réu, por falta de provas. Em seu depoimento, o fazendeiro sugeriu que outro índio (Lázaro Morel), em disputa com Marçal, teria sido o mentor do crime. O advogado de acusação, o ex-vice-prefeito de São Paulo Luiz Eduardo Greenhalgh, admitiu ao final do julgamento que o processo apresentou uma série de falhas, o que teria prejudicado o trabalho da promotoria e impedido a condenação. A acusação não dispunha de provas materiais do envolvimento do fazendeiro no crime. O promotor deve recorrer. Cerca de 80 índios de 23 aldeias assistiram ao julgamento. Os índios dançaram e repetiram cânticos em que pediam o esclarecimento da verdade sobre o caso. Representantes de várias entidades de defesa dos direitos humanos também estiveram presentes ao julgamento e lamentaram a condução das investigações sobre o assassinato (O Globo).