O Brasil não pretende colocar mais dinheiro, além dos US$1,6 bilhão já comprometidos na proposta de renegociação da dívida com os bancos credores, para completar os US$3,2 bilhões de garantias previstos. "Não temos necessidade de antecipar o que vamos fazer", diz o embaixador Pedro Malan, negociador chefe da dívida brasileira. No acordo com os bancos está previsto o pagamento de US$3,2 bilhões em garantias. O Brasil se responsabiliza por US$1,6 bilhão e o restante US$1,6 bilhão virão de empréstimos junto ao Banco Mundial (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundo Monetário Internacional (FMI) e os próprios bancos credores. Estes empréstimos, no entanto, estão condicionados a um acordo prévio com o FMI. Banqueiros presentes ontem à assembléia do BID, em Hamburgo (Alemanha), comentaram a possibilidade de o Brasil vir a antecipar a parcela correspondente às instituições internacionais no caso de fracassarem as negociações com o FMI. Pedro Malan esteve reunido com o Comitê Assessor de Bancos para analisar a questão da distribuição de opções dos bancos credores. Ao fazerem suas propostas sobre os tipos de bônus que preferiam para substituir os títulos antigos da dívida, os bancos concentraram 63,10% de suas preferências nos bônus ao par e apenas 18,35% nos bônus com desconto, enquanto 18,52% foram distribuídos entre outras quatro opções. Como o Brasil considerou insatisfatória a distribuição de bônus, os bancos têm agora até o dia sete de abril para apresentar uma nova proposta. O presidente do BID, Enrique Iglesias, advertiu, durante a abertura da 34a. Assembléia Anual da instituição, que um dos grandes desafios do futuro na América Latina será a necessidade de uma profunda reforma social: "Depois do êxito das reformas econômicas, nos envergonha manter o flagelo da pobreza". Segundo ele, "três grandes imperativos obrigam atualmente as sociedades latino-americanas a encarar, sem mais adiamentos, a superação destas condições de marginalização e de pobreza". São eles: "o primeiro é ético, e tem sua raiz na ausência de qualquer justificação para a manutenção de setores tão amplos da sociedade em situação de pobreza. O segundo é econômico e implica na incorporação dos marginalizados no processo produtivo. E o terceiro é político, e implica na superação das limitações históricas porque é impossível consolidar a democracia na miséria" (JB) (O ESP).