PARÁ INAUGURA COOPERATIVA DE POSSEIROS

Campeão nacional de violência no campo, o Estado do Pará está inaugurando uma cooperativa agrícola formada por posseiros, sem-terra e miniproprietários. A iniciativa, inédita, pretende ensinar economia de mercado aos camponeses pobres de uma área marcada por conflitos fundiários, nas margens da rodovia Belém-Brasília. Paragominas, a 270 km de Belém, sediará a Covale (Cooperativa dos Pequenos Agricultores do Vale dos Rios Capim e Gurupi). A Covale inicia suas atividades com 74 pequenos agricultores, mas quer atingir 500 famílias de produtores da região. Orientados a fazer rotação e consórcio de culturas, os agricultores plantaram em dois anos mais de 50 hectares de frutas e devem produzir, este ano, duas mil toneladas de feijão, milho, arroz e mandioca. Há também culturas industriais, como seringueira e pimenta-do-reino. "Queremos acabar com a figura do intermediário que compra por um preço aviltante e vende por um valor exorbitante", afirma o presidente da Covale, Manoel Oliveira. Segundo o coordenador do Pólos de Agricultura Familiar (PAF), programa desenvolvido pela Secretaria de Agricultura do Pará, Odison Picanço, esses lavradores estão conseguindo fazer uma verdadeira reforma agrária, tornando produtivas as terras ociosas conquistadas por ocupações. "Há todo tipo de consórcio e rotação de culturas para evitar o empobrecimento da terra, que leva ao desmatamento de novas áreas da floresta", diz ele. Apenas duas propriedades são legalizadas: a colônia modelo de Uraim e as Reunidas. As demais são áreas ocupadas ou posses antigas. A ajuda externa tem sido indispensável para os projetos do nordeste do Pará. O primeiro deles, que reuniu a Secretaria da Agricultura e a EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) no programa PAF, recebeu em 1991 uma contribuição de US$100 da Embaixada do Canadá, que possibilitou a distribuição de mudas de culturas permanentes na região. O padre Pedro Conti, um dos idealizadores da Covale, intermediou a doação de mais US$100 à cooperativa, feita por entidades de Brescia, na Itália. Esse dinheiro vai construir um armazém e comprar um caminhão de oito toneladas. A prefeitura de Paragominas também contribuiu, com dois caminhões (FSP).