A maior e mais rica metrópole brasileira possui, pelo menos, 1,681 milhão de miseráveis-- habitantes que apresentam, simultaneamente, carência de moradia, de instrução, de emprego e de renda. Das 3,914 milhões de famílias que residem na Região Metropolitana de São Paulo, 11,3% estão nessa situação, ou seja, cerca de 450 mil famílias. Os números, divulgados ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), fazem parte de uma pesquisa realizada em 1990 junto a 5.500 domicílios. Um total de 39,4% das famílias não dispõe de renda suficiente para atender suas necessidades de consumo e, da população ocupada, 33,8% recebe até três salários-mínimos. Do total de moradias, 10,7% são barracos ou cortiços, 22,5% não tem rede de esgoto e 26,3% são inadequadas porque têm até três cômodos. Segundo a pesquisa, 20% das crianças de três a seis anos têm altura inferior da que seria esperada para crianças sadias do mesmo sexo e idade. Nas escolas públicas de 1o. grau, 45,7% dos alunos pertencem à classe A, 47% apresentam inadequação entre idade e série e 32,7% do total da população tem o primário incompleto (O ESP).