Relatório preliminar de auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela que o governo do ex-presidente Fernando Collor desmantelou o sistema de atendimento às populações carentes e deixou o pais` sem um plano de combate à miséria. O documento registra uma redução drástica nos gastos com programas de alimentação: de uma média anual de US$1 bilhão entre 1986 e 1990, o governo Collor baixou para US$370 milhões em 1991 e US$230 milhões, em 1992. Além disso, os recursos foram minados por fraudes, a maior parte das quais na Legião Brasileira de Assistência (LBA). O TCU aponta irregularidades em praticamente todas as compras de alimentos feitas pelo governo Collor. Foram especialmente prejudicados os programas do leite e da merenda escolar. Vivem em estado de extrema pobreza 32,5% da população brasileira e "apenas um terço do contingente populacional tem acesso a uma alimentação adequada, o restante se encontra em situação de fome crônica", diz o relatório do TCU. A situação é mais grave quando se refere a crianças até cinco anos de idade: 43,1% delas vivem em condições de extrema pobreza; a desnutrição crônica nas regiões Norte e Nordeste é três vezes maior que no resto do país; e a distribuição das riquezas é extremamente desigual: os 25% das crianças mais pobres sobrevivem com renda média 23 vezes inferior aos 25% das crianças mais ricas; os 25% das crianças mais pobres ficam com 3% da renda do país, enquanto os 25% das crianças mais ricas ficam com 72% (O ESP) (JC).