RENDA DO BRASILEIRO CAIU 31,7% EM 11 ANOS

Estudo feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que os empregados de nível superior do setor privado tiveram uma perda de 31,7% reais (descontada a inflação) em seus rendimentos nos últimos 11 anos. A` exceção dos empregadores, que aumentaram sua receita em 1,3%, todos os demais profissionais, empregados dos setores privado e público, autônomos e domésticos, perderam renda. Os trabalhadores autônomos de nível médio registraram perda de 18,5%, enquanto os trabalhadores domésticos perderam 16,7% de seus rendimentos no período. Se considerado o ano de 1986 como base, as perdas nas rendas ficaram em torno de 25%. Além de constatar os elevados níveis de miséria, empobrecimento e concentração de renda, o estudo do IBGE sobre o período de 1979 a 1990 aponta para o progressivo aumento da economia informal. "As sucessivas crises resultam na expulsão de empregados, que às vezes passam a ser recontratados como prestadores de serviço, sem garantias", analisa Ângela Jorge, coordenadora de pesquisas do IBGE. Entre 1979 e 1990, a participação dos empregados particulares no pessoal ocupado passou de 56,9% para 52,3%. Já os trabalhadores autônomos foram de 17,6% para 20,1% e os empregadores de 3,9% para 4,7%-- entra nessa categoria quem tiver mantido uma pessoa (ou mais) remunerada na atividade. Cada 1% equivale a cerca de 500 mil pessoas. Isso também acarretou redução no número de contribuintes do Imposto de Renda. A participação dos que contribuíram caiu de 56,6% para 51,6% e, a dos que não contribuíram, aumentou de 13% para 15,4% (JB).