A UDR ESTÁ DE VOLTA

Segundo informações da imprensa nacional, voltaram a circular, no meio rural, boatos de ocupações e desapropriações de terras. Entre as razões publicadas, está o projeto de reforma agrária, aprovado no início do ano no Congresso Nacional e sancionado com vetos pelo presidente da República no mês passado. "Queremos voltar a ter 300 escritórios em todo o país mobilizados para o problema", diz Roosevelt Roque dos Santos, presidente nacional da UDR (União Democrática Ruralista). Sumida do noticiário desde o fim da Constituinte e a derrota de seu líder, Ronaldo Caiado, nas eleições presidenciais de 1989, a UDR ressurge. Nas últimas semanas, a entidade reabriu quase 100 escritórios. Em Brasília, o médico oftalmologista José Felipe dos Santos assumiu a presidência regional da UDR no início do mês, prometendo confronto. Não vou deixar vagabundo nenhum tomar minhas terras, diz Santos. "Se vier, eu meto fogo, mato até morrer". A verdade é que a UDR volta, com toda força, a se mobilizar. Num leilão de gado realizado há poucos dias em Ribeirão Preto (SP), em três horas foram arrecadados mais de US$100 mil para reforçar o caixa da entidade. "O presidente Itamar é o responsável pela volta da UDR com esse projeto de reforma agrária que está aí", diz Antônio Ernesto Salvo, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). De acordo com as informações, o que mais irritou os produtores rurais foram os vetos presidenciais ao projeto de lei aprovado no Congresso, mais especificamente aos artigos 14 e 17. O primeiro deles possibilitava aos produtores recorrer à Justiça para rever a desapropriação. O segundo estabelecia determinados critérios para o confisco da propriedade. Com os vetos, o expropriado terá agora de deixar as terras em 48 horas após proferida a sentença, sendo elas produtivas ou não (revista Exame no.7) (FSP).