BRASIL NÃO DEVE TER RECURSOS DO BANCO MUNDIAL

Tal como já aconteceu com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o BIRD (Banco Mundial) está adotando a política de "tudo pelo social". De acordo com o vice-presidente para a América Latina do banco, Shahid Husain, a instituição estará destinando até 45% de seus recursos em projetos na área social (educação, saúde e previdência social), bem como em infra-estrutura básica e em prevenção ambiental, setores que têm em comum o fato de perseguir a melhoria da qualidade de vida da população. O Brasil poderá ser relegado na distribuição destes recursos, já que muitas vezes a aprovação de projetos está condicionada ao cumprimento de determinadas condições decorrentes dos ajustes econômicos prescritos pelas instituições internacionais. Cerca de 50% dos empréstimos liberados pelo BIRD nos últimos anos foram destinados à implementação de medidas de ajuste econômico nos países da região. Agora, o banco cobra o cumprimento destas medidas. Mesmo reconhecendo as urgências do Brasil no setor elétrico, por exemplo, o BIRD fechou seus cofres para projetos do setor enquanto não for definida uma política de tarifas elétricas. O Brasil é fator de preocupação do BIRD, não apenas por ser o país de maior população e de economia mais significativa na América Latina, mas também pelas implicações que o atraso em seu programa de ajustes pode ter em todo o bloco do MERCOSUL. A integração tem hoje um apelo irreversível na região com a formação de vários blocos que levam a esperança de uma maior união a nível do próprio continente. Além do MERCOSUL, estão em andamento propostas de integração como o Grupo dos 3 (Colômbia, Venezuela e Equador), o Mercado Comum Centro-Americano, o Mercado Comum do Caribe (Caricoim) e o NAFTA (EUA, Canadá e México). Para o vice-presidente do BIRD, a América Latina conseguiu superar a crise da dívida e está já numa segunda fase do processo de ajuste para reduzir o papel do Estado e definir as relações entre governo e sociedade. O Chile e o México são apontados por ele como os exemplos mais bem-sucedidos e adiantados neste processo. Shahid Husain prevê que, depois de concluída a fase de ajuste, a grande preocupação é com a questão social. "Tão importante quanto o próprio ajuste é saber se o Estado, com isto, torna- se capaz de reverter os avanços alcançados em benefícios para a sociedade", diz ele (JB).