PROPAGANDA DO PLEBISCITO ENGANA ELEITORES

O rei não será tão imparcial como os monarquistas prometem; o primeiro- ministro não terá remédio para todos os males como os parlamentaristas garantem e o presidente corrupto não cairá com tanta facilidade como os presidencialistas esperam. Os historiadores constataram que, em vez de mostrar como cada regime funcionará na prática, os defensores da monarquia, do parlamentarismo e do presidencialismo enganam os eleitores com omissões, mentiras e análise distorcida dos fatos históricos. Os programas do plebiscito são desoladores, generaliza o historiador Bóris Fausto, da USP (Universidade de São Paulo). "Os monarquistas iludem os brasileiros com uma reinvenção mentirosa do passado e uma comparação arbitrária com países modernos de regime monárquico", diz o historiador, para quem é desonesto apresentar o Japão, por exemplo, como modelo para o Brasil, sem levar em conta as diferenças sócio-econômicas. Segundo Bóris Fausto, também os presidencialistas argumentam com uma meia-verdade quando dizem que a adoção do parlamentarismo equivaleria à cassação do voto popular. "Partindo para o contra-ataque, os defensores do parlamentarismo caem no mesmo erro, pois vendem ilusões ao apresentar seu sistema de governo como sinônimo de solução automática de crises e problemas", afirma. Em sua opinião, a experiência parlamentarista que o país viveu em 1961 e 1962 não está sendo utilizada apropriadamente. "É até possível que o parlamentarismo tenha contribuído para a aprovação de algumas leis, mas não se pode atribuir a ele todas as conquistas daquela época", adverte. O professor e cientista político Marcos Figueiredo, do IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas Econômicas do Rio de Janeiro), pensa da mesma forma. "Os deputados que aprovaram o 13o. salário e o salário-família no regime parlamentarista foram os mesmos que rejeitaram as reformas de base de João Goulart", lembra. O professor aponta desvios e mentiras também na propaganda presidencialista. Figueiredo afirma que a dos presidencialistas enganam o eleitor ao garantir que nesse sistema o povo põe e tira o presidente. "O exemplo do impeachment de Collor pesa, mas não serve de regra geral", adverte. No caso dos monarquistas, a propaganda é igualmente mentirosa, segundo o professor. "Não temos a garantia de que o rei será uma figura apolítica e um moderador imparcial, porque não tem sido esse o papel dos monarcas modernos", comentou (JB).