ANGRA 1 TEM DENÚNCIA DE VAZAMENTO

A recente parada da usina nuclear Angra 1, no dia cinco de março, teria sido provocada por um aumento anormal da radiação no coração do reator e pela necessidade de esfriar o reator. A denúncia foi encaminhada ontem ao ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Mário César Flores, por representantes de entidades ambientalistas como a Greenpeace, pela Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) e pelo deputado federal Sidney de Miguel. A informação foi confirmada ao Greenpeace pelo engenheiro Airton Caubi, superintendente na área de licenciamento e controle da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o funcionário, não houve vazamento para o meio ambiente. A Greenpeace acusou que o acidente foi omitido da prefeitura de Angra dos Reis (RJ), onde fica a usina. "O acidente revela a insegurança da usina e a falta de transparência do programa nuclear brasileiro", disse Ruy de Góes, coordenador da campanha anti-nuclear da Greenpeace. O presidente Itamar Franco desapontou os ecologistas que recebeu no Palácio do Planalto. Disse considerar fundamental a conclusão da usina nuclear Angra 2, como forma de evitar futuros problemas energéticos para o país. Itamar prometeu transparência nos gastos com usinas nucleares e disse que o governo está reexaminando os acordos nucleares com a Alemanha (JB).