Com risco de ser preso, o médico Juan Jose Soto Vargas, exilado chileno de 32 anos, expulso do Brasil em 1981, foi obrigado a passar horas na sala de trânsito do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O avião da Pan-Am (vôo 201), que o trazia de Nova Iorque com destino a Montevidéu, sofreu pane e os passageiros foram hospedados no Hotel Glória, à exceção do chileno, que não pôde pisar solo brasileiro e foi obrigado pela companhia aérea a seguir para Miami. O chileno disse que foi agente do SNI (Serviço Nacional de Informações), tendo sido expulso do país depois de namorara filha do ministro Augusto Estelita Lins, quando então começou a ser perseguido pelas autoridades brasileiras, sob alegação de ser "nocivo e perigoso à segurança nacional". Juan Jose Soto Vargas chegou ao Brasil em 1977 quando, segundo contou, o adido militar do Chile no país, coronel Sérgio Arredondo Gonzales, o colocou como dependente. "Ele era amigo do presidente Figueiredo e me obrigou a trabalhar para o SNI, dizendo que se eu não o fizesse seria expulso do Brasil. Ganhei então um visto diplomático, de número 255, e uma matrícula de cortesia para o curso de medicina da Universidade de Brasília, cujo reitor, José Carlos Almeida Azevedo, me deu um apartamento na própria UnB. Entreguei muita gente da UnB, professores e alunos, ao SNI, que até perdi a conta", contou o chileno (JB).