URUGUAI QUER RETARDAR O MERCOSUL

O presidente do Banco Central do Uruguai, Ramón Diaz, defendeu ontem, em Porto Alegre (RS), a necessidade de se adiar o cronograma de implantação do MERCOSUL, previsto para 1995, "devido a situação de desequilíbrio econômico do Brasil". Segundo ele, a Argentina também não tem demonstrado muito interesse na formação do bloco. "É possível perceber esse sentimento em setores governamentais e empresariais da Argentina", afirmou o banqueiro. Ele defendeu a dilatação do cronograma que estabelece queda de barreiras entre os países-membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) como forma de dar tempo "ao parceiro mais importante do bloco" para arrumar sua economia interna. "Nós estamos interessados em saber o que vai acontecer no Brasil, mas o certo é que neste momento a situação brasileira não é propícia à formação do MERCOSUL", frisou. Aos demais integrantes do mercado comum interessam o rumo da taxa inflacionária e da política monetária no Brasil, afirmou Ramón, que não acredita na disposição da Argentina em seguir adiante com a integração devido à crise brasileira. "Uruguai e Paraguai não são importantes e, se esses dois países (Brasil e Argentina) não se esforçarem, o MERCOSUL vai ser retardado", disse. O presidente do BC do Uruguai acredita que os argentinos estão mais inclinados a participar do bloco da América do Norte, o NAFTA, entre EUA, Canadá e México. "Coisa que também faremos se o MERCOSUL não der certo", disse (JB) (GM) (JC).