O ministro do Trabalho, Walter Barelli, estabeleceu uma nova meta para o salário-mínimo: US$170. Ele anunciou ontem que até 1995 a sociedade deve estar preparada para um aumento gradual do salário-mínimo. Até lá, o Cone Sul terá já um mercado comum-- o MERCOSUL--, com livre trânsito de produtos e profissionais entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Daí a necessidade de uniformizar o degrau mais baixo dos ganhos dos trabalhadores. Os US$170 correspondem ao menor salário pago hoje no Paraguai. Na Argentina, o mínimo ultrapassa US$200. Um mínimo de US$170, convertido pela cotação de ontem do dólar comercial, equivaleria a um salário de Cr$4,046 milhões. Em comparação com os atuais Cr$1,7 milhão, representaria um aumento imediato de 136,69%. Não há, por enquanto, projeto específico para promover essa recuperação. O salário-mínimo de US$100, um dos menores do mundo, foi instituído no início deste ano e hoje vale cerca de US$60. Segundo o ministro do Trabalho, com o MERCOSUL, as disparidades nas condições de trabalho poderão provocar ondas de imigração intensiva, o que desestabilizaria a economia dos países. "A pobreza migra sempre. Se melhores condições de trabalho existirem, por exemplo, na Argentina, haverá deslocamento de mão-de-obra", disse. Mesmo sem as facilidades de um mercado único, Barelli informou que já recebeu denúncias de empreiteiras brasileiras que estariam operando na Argentina, com trabalhadores brasileiros, desrespeitando as leis de proteção trabalhistas locais (O ESP) (GM) (O Globo) (JB).