As duas entradas rodoviárias da cidade de Volta Redonda (RJ) foram bloqueadas ontem por três horas, na primeira de uma série de manifestações programadas para esta semana contra a privatização da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), cujo leilão está previsto para o dia dois de abril. Cerca de 500 pessoas participaram de um comício contra a privatização, organizado pelo prefeitura, pela CUT e partidos políticos (PDT, PT e PC do B). A vice-prefeita de Volta Redonda, Glória Amorim (PT), comemorou o resultado da manifestação e disse que "não se pode vender a empresa a toque de caixa". Segundo ela, as suspeitas de adulteração no preço mínimo de venda da estatal comprometem a transparência do programa. A CSN está pronta para ser privatizada desde 1992, quando lucrou US$125 milhões e completou a limpeza de suas dívidas de US$1,8 bilhão com o setor público e outros US$405 milhões estão em fase de conclusão. Além disso, US$741 milhões devidos à SIDERBRÁS foram capitalizados e transformados em ações que agora serão vendidas. Maior siderúrgica da América Latina, capaz de produzir 4,6 milhões de toneladas de aço por ano, a CSN cortou de 23 mil para 17 mil o número de empregados e eliminou acordos lesivos que mantinha com transportadores. Trinta mil empregados ou aposentados da CSN querem adquirir 20% do capital da empresa. Marco da industrialização do país, a CSN tem 35% de participação no mercado doméstico (acima da USIMINAS e da COSIPA). Sua produção média nos últimos três anos foi de 3,4 milhões de toneladas, mas em 1992 produziu 4,5 milhões, seu recorde histórico. Se a CSN for privatizada pelo preço mínimo de US$1,58 bilhão, a União vai se desfazer da primeira siderúrgica estatal implantada no país com um prejuízo contábil de US$4,2 bilhões. Nos 52 anos de vida da siderúrgica, o governo gastou US$6,07 bilhões com saneamento financeiro da empresa, enquanto o preço mínimo de venda e os dividendos que a União recebeu como acionista dão US$1,88 bilhão (O ESP) (FSP).