A favelização deixou de existir apenas nas grandes cidades e passou a ser um problema também da maioria dos municípios brasileiros de médio porte. Trata-se de um reflexo da queda da renda per capita da população. A informação é da geógrafa Helena Balassiano, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, 2,9% dos domicílios estão nas favelas. Ao todo são 3.221 favelas com 1.048.057 domicílios. O Município de São Paulo tem 594 favelas com 134.448 moradias, o que representa 5% do total de 2.649.836 habitações, contra 394 favelas existentes no Município do Rio de Janeiro, com 203.226 residências, 12,4% do total de 1.627.366 habitações. A capital brasileira com maior percentual de residências em favelas (42,2%) é Recife (PE), que tem 223, com 1.31.325 habitações, dentro de um total de 310.820 residências. Os estados do Acre e Roraima registram percentual zero. Belo Horizonte (MG) tem 103 favelas com 51.735 domicílios (10% do total); Porto Alegre (RS) tem 69 favelas com 25.371 domicílios (6,5%); e Laranjal do Jari (AP) tem apenas uma favela com 2.802 domicílios (59,9% do total). A renda per capita baixa estimulou a favelização. De 1980 até agora, houve uma queda real de 5,3%. Hoje, só 3% da população ocupada recebem acima de 20 salários-mínimos, enquanto mais da metade dos trabalhadores (52,9%) recebem até dois salários-mínimos. Desse subgrupo, 8,4% estão enquadrados no chamado trabalho sem-escravo, porque não recebem qualquer remuneração. Os dados, tirados do planejamento do Censo de 91, constam do novo "Anuário Estatístico do Brasil", lançado ontem pelo IBGE (O ESP) (FSP).