AMÉRICA LATINA TEM 192 MILHÕES DE POBRES

A América Latina conseguiu avanços econômicos desde meados da década de 80, mas 46% de sua população-- cerca de 192 milhões de pessoas-- viviam em 1990 abaixo do nível de pobreza, o que corresponde a um acréscimo de 5% em relação ao início da década anterior. A informação consta do relatório "O Trabalho no Mundo", divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), e que destaca o constante e alto número de desempregados em toda a América Latina, principalmente nas zonas urbanas, onde os índices de desemprego se situam em torno de 8%. Os salários também tiveram reduções: o salário médio nas indústrias teve queda de 17,5% entre 1980 e 1991, e o salário-mínimo médio baixou 35%. Segundo o relatório, existem na América Latina provas da chamada escravidão branca. No Brasil, as pessoas são recrutadas com falsas promessas para trabalhar em grandes fazendas e, se fogem, são recapturadas por pistoleiros e submetidas a pancadas e chicotadas. No continente, também muitas crianças são obrigadas a trabalhar: centenas de milhares delas fazem serviços caseiros. O mercado mundial de trabalho continua "deprimido", e, em 1992, o número de desempregados no mundo aumentou em 3,1 milhões. De acordo com a OIT, o pior ainda está por vir, pois com a disputa acirrada pelos empregos existentes, e as pressões cada vez maiores dos empresários para pagar salários baixos, os sindicatos estão perdendo a capacidade de proteger seus filiados mesmo nos países desenvolvidos. Para atrair as multinacionais, por exemplo, alguns governos da Ásia estão ajudando a amordaçar os sindicatos. "Tailândia, Malásia e Filipinas, na luta para promover o crescimento atraindo tecnologia e investimentos estrangeiros, têm impedido que, com a industrialização, surja um movimento sindical forte", alerta o documento (O ESP) (JB).