O relacionamento comercial Brasil-Argentina e os desafios do MERCOSUL foram a tônica de dois encontros empresariais ocorridos ontem, no Itamaraty, dos quais participaram homens de negócios do Conselho Empresarial para a América Latina (CEAL) e do Comitê Empresarial Permanente que assessora o ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Carsoso, em matéria de diplomacia econômica. O CEAL, criado em 1989, com 250 empresários latino-americanos, sendo 63 brasileiros, está tentando contornar o mal estar instalado com o déficit de cerca de US$1,5 bilhão registrado pelo país vizinho no intercâmbio bilateral. O presidente do capítulo brasileiro do CEAL, Roberto Teixeira da Costa, disse que "o problema é de natureza conjuntural, porque o Brasil está exportando mais para a Argentina ajudado pelo câmbio. Passado esse momento, o Brasil voltará a ser um parceiro importante para a Argentina". O presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, Carlos Antich, disse que o problema do desequilíbrio comercial é de origem macroeconômica, mas que nem por isso o cronograma do MERCOSUL deverá deixar de ser cumprido. Outro problema comentado foi a queixa do Paraguai em relação à taxa de estatística de 10% cobrada sobre as importações feitas pela Argentina. Os empresários não consideram esse problema crucial, a ponto de determinar uma crise no MERCOSUL. A Argentina deverá apresentar solução para a queixa paraguaia, observaram. Roberto Teixeira da Costa ponderou que, no caso da implantação do MERCOSUL, "há dois modos de se abordar a questão: ou se impõe um calendário rígido, ou qualquer outra atitude de adiamento será fatal". Ele ressaltou que os "argentinos estão infelizes com o atraso no plano de estabilização econômica do Brasil. Fontes empresariais comentaram que o governo argentino, em vista dos problemas macroeconômicos brasileiros, está ansioso e, a longo prazo, pensa em aderir ao Acordo de Livre
72940 Comércio da América do Norte (NAFTA). Os representantes do CEAL sugeriram ao presidente Itamar Franco a eliminação da bitributação de empresas binacionais e a aceleração do processo de estabilização da economia do país para reduzir o superávit brasileiro no comércio com a Argentina. Durante o encontro, os empresários admitiram que o superávit é transitório (GM) (JB).