CPI MOSTRA MANIPULAÇÃO NA PRIVATIZAÇÃO DA USIMINAS

No momento em que o presidente Itamar Franco admite autorizar a volta dos fundos de pensão aos leilões de privatização, o relatório da CPI do Senado Federal revela dois casos de manipulação do uso de "moedas podres", com utilização dos fundos na compra de ações da USIMINAS. Uma auditoria feita pela Trevisan Associados mostrou que o fundo de pensão Valia foi usado pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) para que a estatal se desfizesse de debêntures da SIDERBRÁS e, burlando as regras da privatização, comprasse ações da USIMINAS. O relatório da CPI se refere ao caso como uma "falsa privatização" de parceria do capital da primeira estatal a ser vendida pelo governo. A Trevisan concluiu que a Valia incorreu em custos e riscos, sem qualquer vantagem, enquanto a Vale conseguiu se livrar das "moedas podres", sem o deságio exigido pelo mercado, burlando as regras da privatização. O outro caso constatado pelos auditores envolve a participação do Previrb, fundo de pensão do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), na privatização da USIMINAS. No dia 29 de novembro, o Previrb comprou, com "moedas podres", 810 mil ações PN, supervalorizadas, da estatal. A operação custou US$530 mil. Dois meses depois, o fundo de pensão vendeu as ações pelo preço equivalente a US$275 mil (O Globo).