GOVERNO NÃO TEM DINHEIRO PARA MATAR A FOME

Apesar de anunciar prioridade no combate à fome a à miséria, o presidente Itamar Franco não conseguiu concretizar os programas necessários para atenuar a crise social do país. Os ambiciosos planos anunciados para compensar os efeitos da recessão sobre a população carente esbarram na seguinte realidade: os cofres públicos, que também se ressentem da queda da atividade econômica, estão vazios. Como se isto não bastasse, a morosidade na aprovação do Orçamento da União deixa o governo às cegas, sem saber de quanto poderá dispor para executar seus programas sociais. Do leite à casa própria, seis programas sociais estão com problemas. São eles: LEITE-- A proposta previa a inclusão do leite na merenda escolar e distribuição para creches da LBA (Legião Brasileira de Assistência), crianças desnutridas e gestantes carentes. Por falta de dinheiro necessário (US$340 milhões), o projeto está parado. CESTA BÁSICA-- O programa prevê a venda de oito produtos (arroz, feijão, farinha de mandioca e de trigo, óleo de soja, fubá, macarrão e açúcar) pela Rede Somar, a preços subsidiados. Mas para aumentar de 13 mil para 20 mil os comerciantes credenciados, ainda são necessários US$15 milhões. FEIJA~O-- O programa prevê a distribuição de 85 mil toneladas do feijão, que estavam encalhadas nos armazéns do Sul do país, para famílias com renda até dois salários-mínimos (Cr$3,4 milhões). Das 3.800 prefeituras que se candidataram a receber o feijão, 50% não têm dinheiro para buscar o produto. REMÉDIOS-- O projeto de distribuir remédios para aposentados, desempregados e assalariados com renda até três salários-mínimos (Cr$5,1 milhões) fora dos hospitais públicos está paralisado por falta de dinheiro e de mecanismos para evitar fraudes. MERENDA ESCOLAR-- Está parado o projeto de transferir para os municípios a tarefa de comprar e gerenciar a merenda nas escolas públicas, para reduzir os custos do programa e estimular a produção de alimentos nas cidades. CASA PRÓPRIA-- Para dar início aos programas habitacionais que atenderiam a 180 mil famílias com renda de até três salários-mínimos, o governo precisa de US$257 milhões. Existem projetos para atendimento à classe média, mas até agora não saiu o decreto que autoriza as operações (O Globo).