MATERIAL FRÁGIL AMEAÇA USINAS NUCLEARES DE ANGRA

As usinas nucleares brasileiras Angra 1, já em funcionamento, e Angra 2, ainda em construção, em Angra dos Reis (RJ), têm materiais que no futuro poderão sofrer rachaduras, o que significa um perigo de vazamento de radiatividade. A conclusão é do físico nuclear Thomas Panten, do Grupo de Ecologia da Alemanha, em Hannover, que acaba de terminar um estudo sobre o tema que será publicado pelo Greenpeace. No caso de Angra 1, construída pela firma norte-americana Westinghouse, o problema é um material à base de níquel (o inconel 600), que foi usado no revestimento interno do reator e em parte do encanamento do circuito primário de refrigeração. Apenas duas usinas alemãs, a de Obrighein e a de Muhlheim, tem esse material, sendo que a última, construída pela firma Brown Boveri (ABB), foi fechada depois de apenas 13 meses de funcionamento. "Na França, há várias usinas com o mesmo material. Lá também pensava-se que não aconteceria nada, até que, em algumas, começou a haver vazamento radiativo", disse Panten. Segundo ele, também Angra 2 poderá ter problemas quando entrar em funcionamento, pois o material empregado pela firma KWU-Siemens no sistema (o aço austenítico) não oferece muita segurança. "Não posso dizer se vai haver problemas em Angra 1 por causa do inconel 600 ou em Angra 2 por causa do aço austenítico. O fato é que, nas duas, existe o perigo constante de um acidente, perto de uma cidade tão povoada quanto o Rio de Janeiro", disse o físico alemão (O Globo).