AUMENTAM AS EXIGÊNCIAS DOS IMPORTADORES

O Brasil deve enfrentar crescentes dificuldades em suas exportações para vencer os obstáculos criados nos países desenvolvidos por legislações cada vez mais rigorosas sobre qualidade de produto e preservação ambiental. A pressão dos consumidores por alimentos mais saudáveis e por sistemas de produção que agridam menos o meio ambiente tem reflexos diretos no comércio internacional, já que padrões adotados internamente pelas nações ricas são entendidos também como exigência aos produtos dos países que têm acesso a seu mercado. Neste momento, por exemplo, o Brasil se vê às voltas com a delicada tarefa de explicar a representantes de seus principais compradores de carne bovina, os EUA e a Comunidade Econômica Européia (CEE), por que não vem funcionando adequadamente seu sistema de fiscalização sanitária e por que voltou a crescer o número de focos de febre aftosa. No ano passado, as exportações brasileiras de carne bovina e derivados cresceram 67%, alcançando uma receita de US$619 milhões. Mas, agora, se o programa de erradicação de aftosa não for convincente e medidas não forem tomadas para melhorar a precária fiscalização sanitária, o Brasil corre o risco de perder o acesso a seus principais mercados. A criação do selo verde na CEE, cuja concessão para produtos dependerá do cumprimento de uma extensa lista de requisitos ainda desconhecidos pelas empresas brasileiras, poderá afetar seriamente as exportações de papel e celulose. Estão prestes a ser enquadrados nessas novas regras da CEE para preservação ambiental produtos como tecidos, materiais isolantes, tintas e vernizes, sapatos e embalagens. Segundo o subsecretário-geral do departamento de economia e comércio exterior do Itamaraty, o assunto já está sendo discutido com os empresários e o Brasil deverá propor que o problema seja levado para as negociações do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). As barreiras ao livre comércio que vêm sendo criadas pela adoção unilateral de padrões de exigência para produtos têm conturbado o mercado internacional e são crescentes as pressões para que o GATT venha a tratar desses temas (GM).