Dentro de 60 a 90 dias, o ministro da Fazenda, Eliseu Resende, espera assinar o acordo de renegociação da dívida externa de US$44 bilhões com mais de 800 bancos credores. O ministro fez a previsão ontem, ao anunciar que 96,7% dos bancos (802) aderiram ao acordo de renegociação. Segundo ele, as primeiras informações indicam que os bancos vêm concentrando suas opções em uma das seis alternativas de pagamentos oferecidas pelo Brasil, o que pode levar o Ministério da Fazenda a pedir que os bancos mudem suas escolhas. Os bancos têm preferido o bônus ao par, onde o Brasil oferece títulos do Tesouro norte-americano como garantia de pagamento. Nesse caso, os juros serão fixos, idênticos ao do título norte-americano. Por causa da concentração, o ministro admitiu iniciar imediatamente negociações com os bancos para que haja mudanças nas escolhas. O problema da escolha inicial, de pouco mais de 60% dos bancos, pelo bônus par (sem desconto), é que ela exigirá um desembolso de garantias, por parte do Brasil, muito além do nível considerado aceitável pelo governo, na faixa de US$4 bilhões a US$5 bilhões. O próximo passo será o pagamento, pelo Brasil, no dia 29 deste mês, de cerca de US$160 milhões de juros vencidos, referente à parte dos atrasados, combinada para ser liquidada 10 dias após a aceitação do acordo pelos bancos (JB).