Cerca de 700 bancos aderiram até ontem à proposta de renegociação da dívida externa brasileira e garantiram, com sua aceitação, a "massa crítica" de 95% dos US$44 bilhões que serão refinanciados pelo acordo. A informação foi passada no início da noite pelo Citibank, líder da comissão de bancos credores, ao negociador Pedro Malan. A proposta brasileira estabelecia 15 de março como primeiro prazo para a adesão e oferecia um pagamento adicional de juros atrasados se a "massa crítica" fosse alcançada. Para que os bancos tivessem interesse pela rápida conclusão do Plano Brady, o Brasil se dispôs a pagar 10% dos juros contratuais referentes ao pré-acordo de 1992, inclusive a parcela devida sobre atrasos (juros sobre juros), referente ao período de 1o. de janeiro a nove de julho de 1992-- cerca de US$170 milhões. O Brasil e os bancos passam agora para uma fase mais difícil, a de adequar as opções feitas pelos credores aos novos títulos a serem efetivamente apresentados pelo país. O processo levará vários meses. O sucesso pode depender da capacidade do Brasil de adotar e executar uma política econômica apoiada pelo Fundo Monetário Internacional. O governo brasileiro deve divulgar hoje um comunicado oficial informando sobre o resultado da renegociação da dívida (O ESP) (GM).