FAMÍLIAS LOTEIAM ÓRGÃOS PÚBLICOS EM BRASÍLIA

As denúncias do senador Dirceu Carneiro (PSDB-SC) contra Carlos Afonso Benevides, o "Fonfon", filho do senador Mauro Benevides (PMDB-CE), de envolvimento com licitações viciadas no Senado Federal, revelaram a existência de um verdadeiro loteamento dos órgãos do poder público de Brasília (DF) entre as empresas prestadoras de serviços de limpeza e vigilância. Não é apenas no Senado que elas se perpetuam, em alguns casos, há mais de 20 anos. Pra cada um dos prédios dos três poderes da República e também do governo do Distrito Federal, há uma empresa que ganha sempre as licitações para realizar os serviços. "É uma verdadeira máfia, que impõe ao governo os preços e estabelece quem ganhará cada concorrência. Um braço do esquema dentro de cada órgão cuida para não haver erro na concorrência fraudada", denuncia o deputado federal Chico Vigilante (PT-DF) que, até ser eleito em 1990, trabalhava como vigia noturno nestas empresas. Os contratos de longa duração: Confederal-- Segurança e limpeza do Banco Regional de Brasília, do Banco do Brasil e da CEF desde 1970, e do Senado Federal desde 1971. Serv San-- Limpeza do Banco Central desde 1980. Brasília-- Segurança e limpeza da Companhia de Eletricidade de Brasília desde 1980. Sitran-- Limpeza do Anexo IV da Câmara dos Deputados desde 1981. Dinâmica-- Segurança e limpeza dos ministérios da Fazenda e da Educação desde 1983. Cordial-- Limpeza do Ministério da Justiça desde 1983. A conexão da limpeza e segurança: Confederal-- Eunício Lopes de Oliveira, genro do ex-deputado Paes de Andrade. Dinâmica-- José Ferreira Pedrosa Filho e Eliane Pedrosa, sua filha. Brasília-- Honório Pereira de Carvalho, marido de Eliane. DF Segurança-- Benício Pedrosa, sobrinho de Pedrosa. Conserv-- Hugo Dinorah, marido de Alba Pedrosa, filha de Pedrosa. Trans-Seguro Vigilância-- Honório Pereira de Carvalho. Fiança-- Luíz Vicente de Araújo. Ipanema-- José Carvalho de Araújo e Sílvio Araújo. Agro-Service-- meire Araújo (O Globo).