GENERAL CONFIRMA CRIMES DE QUÉRCIA

O ex-governador de São Paulo e atual presidente nacional do PMDB, Orestes Quércia, foi acusado, na década de 70, pela Comissão Geral de Investigações (CGI), de enriquecimento ilícito e sonegação fiscal, mas conseguiu se livrar do pedido de sequestro de seus bens por meio de manobras políticas. A revelação, feita pelo general da reserva Luiz Serff Sellman, vice-presidente da CGI, organismo criado pelo regime militar para investigar casos de corrupção, acaba com o principal argumento de defesa de Quércia. "O ex-governador mente ao dizer, com frequência, que o regime militar o investigou exaustivamente e nada apurou", garante Sellman, que, entre 1974 e 1978, examinou as declarações de renda e bens do político, na época um dos mais votados senadores do MDB. A partir de denúncias encaminhadas pela seção paulista da CGI, os militares constataram um grande descompasso entre o patrimônio de Quércia e seus rendimentos. O então senador refez várias vezes as declarações ao imposto de renda. Mas não evitou que a CGI pedisse ao Ministério da Justiça o arresto de seus bens, o que terminou não acontecendo. Em 1964, eleito para o seu primeiro cargo público-- vereador pelo PL--, Quércia tinha apenas um terreno e um Ford bigode, ano 1937. Durante a campanha para o Senado Federal, em 1974, viajava pelo Estado de São Paulo num avião Piper que comprara à vista (O ESP).