BRASIL NÃO PRESSIONA OS EUA NO GATT

Apesar da adesão de 37 países, o Brasil preferiu não assinar a carta entregue ontem ao presidente dos EUA, Bill Clinton, pelo presidente da Argentina, Carlos Menem. Na carta, os signatários pedem aos norte- americanos que se esforcem para terminar "o mais rapidamente possível" a Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio). Em Genebra, onde está sendo negociada a rodada, o missão do Brasil reconhece que, mesmo solidário aos princípios do manifesto, o governo brasileiro questiona a oportunidade e o destinatário. Neste momento, é o Congresso daquele país que deve dar as cartas que definirão a ação do governo Clinton no assunto. Julgam ainda os diplomatas ser o envio de mensagens um recurso desgastado e pouco eficiente. Além disso, pensam que com esta gestão os signatários se colocam como demandantes da conclusão da rodada como um objetivo em si. E correm o risco de pagar um alto preço pela boa vontade dos EUA. O futuro das negociações está hoje nas mãos do Congresso dos EUA, onde se discute a renovação do "fast track", mandato que o Legislativo delega aos representantes do governo para que negociem o acordo da Rodada Uruguai. A tendência é que os políticos concedam ao presidente Clinton um prazo de nove meses para a conclusão das negociações. Sem objeção quanto ao prazo, os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, tem alertado para o perigo de que o Congresso norte-americano estabeleça, como preço, certas "condicionalidades" para concluir a rodada. Como a inclusão nas negociações de temas como proteção ambiental e direitos trabalhistas. Haveria também o interesse do governo Clinto em atrelar a renovação do fast track à ressurreição da Super 301. Esta seção da lei de comércio dos EUA é uma versão mais dura e abrangente da legislação em vigor, que prevê sanções unilaterais contra países que estivessem, na opinião dos EUA, prejudicando seu comércio (JB).